Slow Procurement

Slow Procurement

Vivemos em um mundo acelerado, em contínua transformação. O contexto digital aumenta ainda mais a velocidade das mudanças, as crises aparecem e se dissipam de maneira rápida.

Apesar disso, as tecnologias trazem praticidade para resolver problemas e facilitar a gestão.

Na área de compras, essa também é a realidade: quebras na cadeia de abastecimento, projetos urgentes, grande volatilidade e riscos por todos os lados.

Diante desse cenário frenético, desenvolvemos soluções ágeis e usamos as tecnologias mais do que nunca para resolver situações com rapidez e eficiência. Esse é o ponto positivo da gestão ágil e tecnológica.

Mas na contramão dessa realidade, acredito que desperdiçamos oportunidades de desacelerar em alguns processos e interações.

Com isso, perdemos chances de conseguir aproveitar e absorver as experiências de forma mais integrada e significativa e assim gerar mais valor.

O adjetivo “slow” é aplicado na alimentação (slow food), movimento que preza maior atenção ao preparo da comida e às experiências durante as refeições. Refletir de onde o alimento vem, como foi cultivado, como foi transformado até chegar à mesa e por fim comê-lo com apreciação.

Outra aplicação de “slow” é feita na arquitetura e no design, onde são projetados ambientes e móveis com o objetivo de aumentar a interação dos sentidos com o ambiente.

Mais uma vez, a ideia é dar mais valor para as sensações que esses pequenos prazeres nos proporcionam.

Já o Slow Procurement é um chamado ou provocação para os profissionais de compras desacelerarem e prosperarem a partir de ações simples na rotina corporativa.

Sim, é possível entregar mais mesmo com um ritmo mais lento, mas com mais presença. Cito abaixo quatro situações em que o Slow Procurement abre novas oportunidades.

1 – Presença nas reuniões

Pode parecer óbvio, mas estar, de fato presente nas reuniões com fornecedores e clientes internos é de grande importância quando conseguimos extrair o máximo dela.

Observar os interlocutores, seus gestos, emoções e colocações com atenção pode abrir espaços para novos acordos e soluções que inicialmente não estavam na pauta. A escuta ativa e interação com propósito tem um potencial imenso.

Afinal, pessoas fazem negócios e projetos com pessoas. Quando existe confiança e conversas francas os resultados aparecem.

As avaliações dos funcionários devem ser momentos especiais de troca. Temos a oportunidade de ensinar e aprender de maneira rica quando a conversa de feedback é feita com respeito e atenção.

Novamente falamos sobre estar presente, escutar com respeito e atenção e pensar antes de responder. Tudo para que a conversa seja propositiva e gratificante.

2 – Análise profunda de dados

Com cada vez mais sistemas e geração de dados, temos em nossas mãos informações e ferramentas que colaboram para uma melhor tomada de decisão.

Mas precisamos dedicar tempo de qualidade para analisar e extrair o máximo dos dados oferecidos.

Fazer a seleção, limpeza e interação dos bancos de dados irá gerar insights importantes para novas sugestões de automações, sourcing e novos projetos.

3 – Visitas de Campo

Levantar-se da cadeira e andar pela operação, visitar fornecedores e participar de fóruns e congressos são atividades fundamentais do comprador. Ainda mais quando fazemos isso de maneira contemplativa e sem pressa.

São momentos que proporcionam novas ideias e um olhar mais empático nos negócios.

A solução de problemas pode estar mais perto do que pensamos quando abrimos os olhos para outras perspectivas.

4 – Organização e Planejamento

O alto volume de tarefas nos coloca automaticamente em “modo execução”, mas também é importante parar.

Realmente parar, respirar e organizar a agenda de prioridades para aumentar a eficiência do trabalho. Pensar com calma nos projetos e atividades prioritários, organizar o tempo a seu favor, declinar reuniões improdutivas e delegar de forma consciente.

Também é fundamental deixar um tempo aberto para autoconhecimento, descanso, atividades físicas e meditação.

Esses são alguns exemplos de Slow Procurement. Assim como outras abordagens, esse conceito não se sustenta sozinho e precisa ser aplicado em conjunto com outras metodologias já vencedoras, como strategic sourcing, técnicas de negociação RPAs e gestão de categorias, etc.

O equilíbrio das técnicas irá deixar o trabalho mais leve, sustentável e gratificante. Nessas condições, os resultados prosperam exponencialmente e os compradores ficam mais felizes no trabalho.

Sr. Manager, Procurement | + posts

Supply Chain executive with strong people and leadership skills.
Dynamic, hands on and results oriented professional.
Whole life athlete moved by new challenges.

spot_imgspot_img

Receber Newsletter

Artigos Relacionados

FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais Parte 3

FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais Parte 3 Nos dois primeiros...

Podemos ir além de pedir descontos e negociar estrategicamente!

Podemos ir além de pedir descontos e negociar estrategicamente! Embora...

FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais Parte 2

Implementação do FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais Parte 2 No...

5 estratégias para Compras e Contratações para a área de Marketing!

5 estratégias para Compras e Contratações para a área...

FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais – Parte 1

FRAME AGREEMENT – Conceitos Fundamentais - Parte 1 FRAME AGREEMENT...
spot_imgspot_img
Eduardo Romani
Eduardo Romani
Supply Chain executive with strong people and leadership skills. Dynamic, hands on and results oriented professional. Whole life athlete moved by new challenges.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui