quinta-feira, janeiro 15, 2026

Empatia entre áreas: como finanças e suprimentos destravam valor juntos

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Em um recente estudo com CPOs e profissionais das áreas de finanças, compras e marketing em mais de 200 empresas, foram analisados os níveis de relacionamento e colaboração entre esses departamentos.

A pesquisa revelou um dado alarmante: 66% dos profissionais de finanças acreditam que a equipe de suprimentos é um obstáculo aos objetivos gerais do negócio. Esse dado revela o quanto a integração entre suprimentos e o financeiro ainda enfrenta desafios de alinhamento e percepção de valor mútuo.

Na verdade, dados adicionais do estudo mostraram que apenas 30% dos entrevistados do setor financeiro acreditam que a área de suprimentos realmente contribui para a redução de custos. A grande maioria vê a função de compras como um setor de apoio, que apenas executa iniciativas lideradas pelas finanças, sem protagonismo estratégico.

Por outro lado, a visão da área de suprimentos sobre o financeiro é mais otimista. Cerca de 46% dos profissionais de compras afirmam ter um relacionamento “muito próximo” com o time financeiro, em contraste com apenas 22% dos profissionais de finanças que afirmam o mesmo sobre o Procurement.

A boa notícia é que isso está mudando — e para melhor. Em empresas que cultivam empatia entre áreas e operam com modelos colaborativos entre suprimentos e o financeiro, os resultados aparecem em performance, inovação e eficiência.

Por que “empatia entre áreas” importa

Empatia entre áreas não é discurso motivacional. É prática de gestão: compreender objetivos, restrições e métricas do outro time para tomar decisões co-lideradas. Quando compras entende cash, margem e compliance; e finanças entende sourcing, lead time e risco de fornecimento; nasce um modelo de decisão mais rápido e preciso.

  • Velocidade: decisões andam porque “o outro lado” foi envolvido desde o início.
  • Qualidade: especificações e contratos refletem requisitos técnicos e financeiros.
  • Confiança: métricas compartilhadas reduzem fricção e retrabalho.

Barreiras ainda frequentes

1. Falta de confiança na execução

Muitos departamentos financeiros ainda questionam se suprimentos tem capacidade técnica, visão estratégica e agilidade para entregar resultados consistentes. Essa dúvida trava a entrada de compras em discussões-chave.

2. Mindsets tradicionais e resistência à mudança

Silos persistem. Processos “que sempre funcionaram” seguem intocados. O resultado: iniciativas digitais e de governança param no meio do caminho.

3. Comunicação fragmentada

Sem um canal claro entre suprimentos e o financeiro, surgem suposições, decisões desalinhadas e retrabalho.

4. Dúvidas sobre a qualidade do serviço

Persiste o ceticismo de lado a lado: “Compras agrega mesmo?” “Finanças só corta?” Isso mina engajamento.

Dados de mercado: o que as referências mostram

Pesquisas internacionais reforçam o impacto da colaboração — e dão um roteiro prático para elevar a maturidade.

Referências que embasam a co-liderança

  • Digital World Class® (The Hackett Group): funções de compras líderes operam com 21% menos custo, 32% menos FTE e são 86% mais percebidas como parceiras do negócio. Também influenciam 20% mais do gasto e retornam 1,9x mais savings que pares.
  • Deloitte CPO Survey 2023: somente 30% dos CPOs atingiram as metas de economia no ano — ambiente inflacionário e execução limitada pedem orquestração com finanças e stakeholders. Colaboração com fornecedores foi a alavanca nº1 citada para gerar valor.
  • Coupa Benchmark (dados agregados de US$ 8 tri em spend): contratos virando em 11,3 dias úteis, despesas aprovadas em 7,5 horas, 96,4% do spend com pré-aprovação, 86,2% das faturas eletrônicas e 97,1% de first-time match.
  • McKinsey: co-gestão de margem e squads multifuncionais elevam impacto de ponta a ponta, conectando decisões de compra ao lucro e à receita, e aproximando CFO e CPO via analytics.

Benchmark – desempenho quando há empatia entre áreas

MétricaOrganizações líderesComparativo
Custo da função de compras−21%vs. pares
Percepção como parceiro de negócio+86%vs. pares
Influência sobre o gasto+20%vs. pares
Economias geradas1,9xvs. pares

Fonte: The Hackett Group – Resumo do estudo Digital World Class® de 2023

Prioridades e alavancas dos CPOs

Prioridade / Alavanca% de CPOsObservação
Melhorar margens via redução de custos71%Top de agenda 2023
Resiliência da cadeia68%Prioridade estratégica
Colaboração com fornecedores61%Alavanca nº1 de valor
Transformação digital42%Habilitadora de valor
Gestão de demanda37%Impacto direto em custo

Fonte: Deloitte – Excertos do Global CPO Survey 2023

Operação integrada finanças–compras: indicadores

KPIBenchmarkComentário
Tempo para fechar contratos11,3 dias úteisAgilidade com governança
Tempo de aprovação de despesas7,5 horasControle sem burocracia
Spend com pré-aprovação96,4%Risco e conformidade
Faturas eletrônicas86,2%Eficiência e compliance fiscal
First-time match de faturas97,1%Menos exceções

Fonte: Coupa – Total Spend Management Benchmark (2025) – dados agregados

Caminhos práticos para fortalecer a colaboração

Alinhar KPIs e objetivos estratégicos

Finanças e compras precisam de um “contrato de gestão” com metas compartilhadas: margens, cash, savings validados no P&L e KPIs de ciclo (pedido–pagamento). Sem isso, “empatia entre áreas” não se sustenta. Adoção de analytics integrados cria ponte entre visões distintas e acelera a reconciliação de valor no resultado. :contentReference[oaicite:7]{index=7}

Clarificar responsabilidades

  • Definir claramente atividades-chave por equipe
  • Evitar zonas de conflito e duplicidade
  • Documentar processos e responsabilidades

Desenvolver empatia entre as áreas

Rituais simples funcionam: leitura conjunta do pipeline de sourcing, comitê mensal de margens, e deep dives de custo total com marketing, operações e TI. Isso reduz atrito e cria linguagem comum.

Investir em tecnologia e governança

Ferramentas que conectam requisição–pedido–fatura–pagamento elevam transparência e governança. Líderes usam suites como o Coupa Software para integrar dados e decisões. Em paralelo, evoluem modelo operacional (COE, GBS) e parcerias com o negócio — práticas presentes em organizações Digital World Class®.

Playbook de “empatia entre áreas” para aplicar já

  • Um OKR compartilhado (CFO+CPO): margem, cash e savings validados no P&L.
  • Ritual quinzenal de co-planejamento: pipeline de negociações, riscos e impacto no caixa.
  • Política única de intake e pré-aprovação (meta: >95% do spend pré-aprovado).
  • Catálogo e contratos padrão: reduza ciclo (meta: contratos < 15 dias úteis).
  • SRM com finanças: fornecedores críticos, acordos de margem e co-inovação.
  • Analytics único para spend, savings e cash — a “fonte de verdade” para ambos.

Co-liderança, não só colaboração

Empatia entre áreas transforma compras e finanças em uma frente única. Com objetivos comuns, linguagem de dados e governança viva, a organização destrava velocidade, reduz custo total e protege a margem — hoje e no próximo ciclo. Suprimentos e o financeiro são mais fortes juntos.

Nota de transparência: Este artigo combina resultados de pesquisa proprietária com benchmarks públicos (Hackett, Deloitte, McKinsey e Coupa). Use as tabelas como referência para metas realistas na sua jornada de integração.

Recursos para aprofundar

foto leo 1 - Blog Na Garage
CEO at Procurement Garage | pgeventos@procurementgarage.com |  + posts

Mais de 30 anos de experiência sendo Head de Suprimentos na AmBev/AB-InBev, P&G (Consumer Goods), B. Braun (Farma) e LATAM Head of Supply Chain Planning & Performance na BP (British Petroleum).

Graduado em comércio exterior, extensão pela Columbia University e MIT ACE Program.

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