Aprendizado Contínuo…

Aprendizado Contínuo…

Acabamos de superar aqui no Brasil e em grande parte do Mundo a marca de 12 meses de Pandemia, ainda sem um cenário muito claro de quando vamos sair dessa… mais do que isso: COMO vamos sair dessa…

Já se falou muito sobre o tal “novo normal” no nosso dia a dia, então quero aqui trazer algumas provocações e reflexões sobre como precisamos encarar o Supply Chain e mais especificamente a Logística nesses tempos e naqueles que nos aguardam “logo ali”!

Vamos só retroceder um pouco mais e lembrar que em 2019 ainda estávamos discutindo a Guerra Comercial USA / China e os impactos que isso já trazia no mundo e como iríamos trabalhar isso sob o ponto de vista do SCM e da Logística: as pessoas ainda buscavam respostas sobre como traçar alternativas e quanto tempo isso duraria além das ações de Donald Trump.

Veio a virada do ano e começou o efeito covid, sentido nas prateleiras dos supermercados com a busca frenética provocada pelo pânico, a queda no consumo, causada pelas medidas de restrição, a mudança do padrão de consumo para bens de uso doméstico, na onda do #fiqueemcasa e indústrias paralisadas em função da falta de matéria prima e quebra da cadeia logística.

Quando começam a se desenhar todas as soluções possíveis para um cenário pós-pandemia, nos deparamos com o Ever Giant encalhado e “decretando lockdown” no Canal de Suez por cerca de uma semana, afetando não só os outros navios que precisavam cruzar o canal como os proprietários das mais diferentes cargas a bordo do mesmo com impactos ainda de mensuração discutíveis, desde a cadeia logística em si até regulações de seguro.

Os efeitos propriamente ditos nesse cenário pós-covid no fundo eram mais previsíveis; apesar de se falar sobre um “novo normal” de menos consumismo e mais consciência: demanda reprimida, prateleiras ainda vazias, “efeito chicote”, restrição de embarques aéreos, dificuldade de containers, e curiosamente o medo de um aumento de fretes pela nova regulamentação da IMO sobre combustíveis, derrubado pela queda do preço do barril de petróleo… ainda assim, o cenário principal é de aumento de custos pelo desequilíbrio entre oferta e demanda…

Independentemente do que já passou, a missão agora é entender como o SCM e a Logística podem trabalhar para aumentar a resiliência e mitigar os riscos de outros eventos similares que impactariam nossa cadeia novamente.

Um estudo do Professor Hau Lee, da Stanford Graduate School of Business listou as prioridades para superar os desafios do SCM:

  • Melhorar o entendimento dos cenários
  • Construir uma maior flexibilidade no Processo Produtivo
  • Aumentar a flexibilidade da Logística

Prever o que foi a pandemia ou o encalhe do Ever Given é um exercício quase matemático de Análise de Riscos & Probabilidades, mas a questão da Guerra Comercial é algo que um acompanhamento sistêmico do cenário político-econômico pode ajudar. Quais ações tomar em cada um dos cenários desenhados?

Parte disso se reflete na análise do Processo Produtivo: estamos colocando todos os ovos na mesma cesta, como a minha vó já sugeria não fazer? Que fontes alternativas de insumos para a cadeia eu consigo desenvolver, sejam elas diferentes Fornecedores ou diferentes plantas dos atuais Fornecedores (preferencialmente em diferentes países).

A disponibilidade de espaço para carga aérea se deu por um fator paralelo, a restrição da circulação de passageiros e mais recentemente o foco nos insumos médicos, principalmente vacinas. Que alternativas de transporte temos ou podemos desenvolver em um cenário de crise?

Precisamos estruturar e desenvolver nossa Inteligência de Mercado para antecipar eventuais mudanças de cenário que impactem a nossa Empresa. Que tipo de buffer podemos ter para mitigar eventuais faltas de insumos? Qual o impacto em custo dessa estratégia, comparado com o risco de uma nova crise?

Pessoalmente enxergo que além deste entendimento de cenários mencionado, a visibilidade da cadeia como um todo, com transparência em cada uma das etapas, além de uma aproximação e o fortalecimento de parcerias entre Fornecedores e Clientes em todos os níveis serão a chave da nossa sobrevivência. Essas ações permitem que se evite, por exemplo, uma “contingência duplicada” (financeira e/ou de estoque) e se estabeleça critérios claros no decorrer da cadeia de suprimentos.

Considerando que o foco do estudo acima foi amplo no SCM, em relação à Logística eu considero os seguintes cenários e estratégias:

  • A Logística como função estratégica! A Logística cresceu no Organograma!

Os gargalos criados pelos problemas nos últimos anos reforçaram a importância de estabelecer uma estratégia de logística não só por embarque e sim como algo corporativo além de duradouro que sirva de base para as discussões com o Mercado.

  • Clareza de que o transporte não funciona como táxi… e muito menos Uber!

O planejamento integrado desde a colocação do pedido (seja de compra ou de venda) precisa estar no radar da Logística e a ação começa nesse momento para garantir preço e prazo. O que se costumou chamar de Early Engagement, envolvendo os Fornecedores desde o início, facilita o entendimento do projeto e a busca por soluções diferentes, coerentes e consistentes.

  • Estabelecimento e/ou fortalecimento de parcerias!

Com a rápida retomada da logística gerando desequilíbrio oferta / demanda e problemas de posicionamento de navios e containers, quem se posicionar melhor, mais rapidamente garantirá seu lugar ao sol… ou sua carga embarcada! A transparência mencionada anteriormente aplica-se diretamente nos elos da cadeia logística, para que as necessidades sejam entendidas e as alternativas sejam desenhadas.

  • Migração de cargas tradicionais de containers para carga geral… e vice-versa!

É parte do estabelecimento de soluções alternativas pois já existe um desequilíbrio no posicionamento de navios e containers e quanto maior a flexibilidade, mais fácil assegurar que o pedido estará no lugar certo e na hora certa (a um preço justo).

  • Redução (ainda maior) das margens em todos os elos!

Isso demandará um contato direto entre o Cliente e o Asset Manager ou o Armador, por exemplo. Os intermediários (Operadores Logísticos, Agentes de Carga, etc.) precisam agregar valor real, reduzindo riscos e custos (economia de escala) e gerenciando as interfaces. O preço já é uma commodity, todos oferecem, então o diferencial passa a ser a solução completa, incluindo alternativas e Planos de Contingência, bem trabalhados e seguros. É a Virada da Chave: de um simples corte de custos para efetivo valor agregado!

  • Inovação!

O bom e velho “pensar fora da caixa” (não necessariamente relacionado ao container), pensando diferente para enxergar além da solução simplista e imediatista para poder resolver os problemas de amanhã… e os que virão depois…

É difícil prever quando e como será a próxima crise, mas quanto mais aprendermos com os problemas e soluções do passado, mais fácil será o enfrentamento do futuro!

 

 

 

Leandro Brusque
Executivo sênior com mais de 25 anos de experiência, atuação nas áreas de Supply Chain e Logística e destaque na gestão de pessoas e visão estratégica do negócio, em empresas multinacionais globais, de diferentes segmentos. Experiência em planejamento, desenvolvimento e liderança na execução de estratégias operacionais em cadeias complexas, estabelecida em diferentes ambientes geográficos: Américas, Europa e África. Competência em negociações complexas e projetos de grande porte, alinhando expectativas entre clientes e fornecedores nacionais e internacionais, com foco no modelo ganha-ganha. Habilidade em estabelecer relacionamento com cliente, atuando como ponto focal na qualidade de atendimento e no atingimento das metas.  

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