Entrevista com Verena Pagano

Entrevista com Verena Pagano

Blog na Garage entrevistou a Verena Pagano, Indirect Procurement & Logistic Business Partner, sobre o tema Perspectivas de Compras para o Mercado 2023.

PERGUNTA 1

BNG: Avaliando 2022 quais seriam as principais lições aprendidas em Supply Chain?

Verena Pagano: Acho que de uma formal geral, o maior desafio deste ano (pós pandemia) foi acertar a casa! Mas, isto não significa que tenha sido um ano fácil…

Durante a pandemia todos (fornecedor, comprador, subcontratado, indústrias, varejo…) estavam “nadando para a mesma direção”, se ajudando para manter os negócios girando, o que facilitava a negociação por uma causa maior.

Passado esse período, 2022 ficou marcado por ser um ano de reestruturação e retomada econômica/financeira para alguns seguimentos, como por exemplo: os fornecedores, principalmente de comodities, voltaram a assumir o posto de favoritismo, bem como de produtos importados pelo aumento do dólar no 2° semestre, exigindo assim uma atuação forte do time de Compras.

O ano também foi marcado pela instabilidade político-econômica que  dificultou a consolidação do forecast 2023.

Ao mesmo tempo, 2022 foi um ano marcado pela retomada de eventos presenciais, e tivemos diversas oportunidades de revermos colegas de Compras nos mais diversos fóruns realizados, reforçando o que chamo de “oxigenação”, bom para rever melhores práticas, lições aprendidas e cases do mercado.

PERGUNTA 2

BNG: Quais principais fatores podem impactar 2023 na sua opinião e quais seriam as principais preocupações ou pontos de atenção devemos ter em Supply Chain ao longo de 2023?

Verena Pagano: De acordo com relatórios econômicos, destaco dois grandes fatores que podem impactar diretamente nossas negociações: transição de governo brasileiro e status da economia mundial (possível recessão, continuidade da guerra Rússia x Ucrânia).

Baseado nesse cenário, o dinamismo da economia como um todo ficará bastante contido, podendo refletir diretamente no dia a dia do time de Procurement.

Resultados (savings e cost avoidance) deverão ser maiores em cada acordo para sustentar a possível queda de movimentação de mercado. Este será um grande desafio para 2023.

Outro ponto de atenção é para itens que envolvem moedas estrangeiras. Penso que o câmbio continuará com estas oscilações que nos deixarão sem perspectivas claras no curto e médio prazo. Logo, estudo de estoque e hedge deverão ser cada vez mais frequentes em função deste risco.

E é claro, não deixar de utilizar ferramentas de inteligência de mercado para apoiar a tomada das decisões, ou mesmo, fazer por conta própria pesquisa de tendências em sites relacionados para apoiar na melhor estratégia de fechamento.

Por último e não menos importante, o acompanhamento do fornecedor.

A inadimplência é um dos grandes desafios e pode ser que prossiga nessa mesma direção a partir de 2023. E quando abordamos este tema, estamos nos referindo ao pagamento de tributos, impostos e obrigações legais que a empresa contratada deverá cumprir para estar apta a trabalhar conosco.

PERGUNTA 3

BNG: E falando sobre as perspectivas, o que esperar para Supply Chain em 2023?

Verena Pagano: Pela instabilidade política iniciando mais forte no 2° semestre, a expectativa são as parcerias de longo prazo, fixando condições e procurando índices mais aderentes aos serviços, produtos e equipamentos adquiridos, ou ainda fórmulas paramétricas onde se possam realizar ponderações e não refletir apenas um índice econômico que possa vir a ter grande oscilação.

Os compradores e seus líderes devem ficar atentos às possibilidades de implantação de soluções tecnológicas ou até de outsourcing que poupem a parte operacional, seja para aquisição de itens curva “C” ou no fluxo operacional (ex. onboarding de fornecedores, análise de due diligence).

Por outro lado, o time deve tomar bastante cuidado com a implantação de Start Ups. Eu sou uma pessoa devota a integração de novas solução em toda a cadeia, mas vale uma análise profunda e prévia da possibilidade de escalabilidade e vida da Start Up a ser implementada, para que o esforço inicial não tenha que ser desfeito em pouco tempo, porque a solução foi descontinuada pela saída da Start Up do mercado.

PERGUNTA 4

BNG: Quais seriam as grandes tendências em tecnologias?

Verena Pagano: Poderia falar de Power BI ou soluções de RPA, mas sinto que já estão consolidadas em muitas empresa e processo de Supply Chain. Agora vejo soluções de analytics que visão reports nos quesitos de ESG.

PERGUNTA 5

BNG: Como sua empresa está se preparando para o novo ano?

Verena Pagano: Estipulamos algumas metas de CR (savings) e CA (cost avoidance) mais cautelosas após 2 (dois) anos seguidos de aumento de percentual.

Também com relação ao Spend, os grandes projetos serão revistos para compreender a sua Urgência X Necessidade.

Gerar caixa, talvez seja a melhor estratégia para 2023.

Além de prazos de pagamentos cada vez mais extensos e KPIs que verifiquem  o processo de onboarding e due diligence dos fornecedores.

PERGUNTA 6

BNG: Quais dicas você poderia dar para os profissionais de Compras em relação ao que vem aí em 2023?

Verena Pagano: Acho que para o profissional de compras sempre vou falar:

  • Seja mais curioso que os demais
  • Seja Resiliente
  • Abuse do conhecimento dos fornecedores para criar resultados melhores
  • Entenda a empresa que você trabalha.
Mentor de Carreira para Profissionais de Compras | + posts

Executivo de Supply Chain com especialização em projetos de Petróleo e Gás, projeto em MBA de Gestão de Suprimentos, Logística e Supply Chain e Mentor de Carreira para Profissionais de Compras.

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Leonardo Rosa
Leonardo Rosa
Executivo de Supply Chain com especialização em projetos de Petróleo e Gás, projeto em MBA de Gestão de Suprimentos, Logística e Supply Chain e Mentor de Carreira para Profissionais de Compras.

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